Afinal, por que um corvo se parece com uma escrivaninha? – Alice e o Ocultismo por Higor Branco Gonçalves
Quem me conhece e sabe o nome da minha filha tem noção do quanto
eu sou fascinada pela Alice de Carroll. Então navegando pela web
encontrei esse Blog super interessante The Bloggerworck de onde eu transcrevi esse texto maravilhoso que segue:
Logo em uma de suas primeiras falas, o
Chapeleiro lança aleatoriamente esse enigma, que até hoje é motivo de
mistério e objeto de teorias diversas: “Por que um corvo se parece com
uma escrivaninha?”¹ [“Why is a raven like a writing-desk?”] O
próprio Carroll escreveu no prefácio da edição de 1896 que originalmente
essa charada não tinha resposta, mas que após ser frequentemente
questionado se seria possível imaginar alguma solução, pensou em algo
apropriado: “Porque pode produzir algumas notas, embora sejam muito chatas; e nunca é posto de trás para frente!”¹ [“Because it can produce a few notes, tho they are very flat; and it is nevar put with the wrong end in front.”] Há uma brincadeira na segunda parte da resposta, que infelizmente se perde com a tradução, entre as palavras “never” (nunca) e, como Carroll escolheu grafar, “nevar”, “raven” (corvo) de trás para frente.
Ao afirmar que num primeiro momento a
adivinhação não tinha resposta nenhuma, Carroll implicitamente quer
dizer que o intuito era justamente criar uma pergunta nonsense
(sem sentido), algo que propositadamente não tivesse solução. Dessa
forma, e também devido à repentinidade com que o Chapeleiro faz a
pergunta e ao contexto da enunciação, uma das interpretações possíveis
para o enigma é a de que ele ilustra como o mundo adulto pode parecer
confuso e incoerente para uma criança, além de obviamente ajudar na
constituição do clima nonsense do livro. O comentário de Alice
um pouco adiante de que o tempo poderia ser usado de uma forma melhor do
que sendo gasto com adivinhações que não têm resposta pode então ser
lido como uma crítica mais abrangente aos adultos.
Assinar:
Postagens (Atom)